segunda-feira, 7 de abril de 2014

Deus e a existência do mal

1 - Deus Existe.

2 - Deus é onipotente, onisciente e onibenevolente.

3 - Um ser onibenevolente iria querer evitar e não permitir qualquer tipo de mal.

4 - Um ser onisciente iria conhecer todas as maneiras com que o mal pode se manifestar.

5 - Um ser onipotente tem o poder de barrar todas as maneiras com que o mal pode se manifestar.

6 - Um ser que conhece todas as possibilidades de manifestação do mal, que tem o poder de evitar qualquer maneira de manifestação do mal e que quer e deseja barrar toda a maldade, não permitiria a existência de qualquer tipo de mal.

7 - Se existir um Deus onipotente, onisciente e onibenevolente, então o mal não existiria.
  
8 - O mal e a maldade existem.
  
9 - Deus não existe.

Renato Recife

sábado, 8 de março de 2014

Reflexões sobre o anarquismo

Para quem acha que uma sociedade anarquista é sinônimo de "vida em baderna", um exemplo de como podemos viver sem governos, qualquer tipo de hierarquia e com leis tácitas de boa convivência, é a comunidade Trumbullplex em Detroit .

Pratica-se a auto gestão. As decisões são tomadas por todos, a economia se auto regula (não necessitamos de Bancos Centrais! O Bitcoin esta ai e vai revolucionar o mundo) e as pessoas fazem o que gostam e não precisam prestar contas a ninguém além de si mesmos. Se houver excessos, a comunidade, de forma coletiva, pode decidir por condenar um indivíduo ao ostracismo, ou seja excluí-lo do convívio social. Isso basta!

Anarquia não é socialismo! O socialismo é outra forma de dominação, centralizada e exercida por um politburo.

Anarquia não é uma democracia capitalista! Economias centralizadas, governada por políticos, que ditam as regras que a sociedade deve seguir. Porque devem haver pessoas gerindo pessoas? Para conduzir, de forma tosca, as economias e os rumos coletivos? E sempre de forma corrupta, pois qualquer tipo de poder, de dominação sobre o outro, anda de mãos dadas com a corrupção!

O Anarquismo é a democracia em sua forma mais pura, em que todos decidem e ninguém manda em ninguém. A anarquia, ou seja, o mundo sem governos, fronteiras, igrejas, polícia e exércitos, é o futuro da humanidade. Será o novo grande salto na evolução humana.

Assim como um dia deixamos para trás as monarquias absolutistas para adotar as democracias capitalistas, um dia viveremos em anarquia, mesmo que eu não esteja aqui para ver.

Quem quiser saber mais sobre como funciona uma comunidade anarquista, http://trumbullplex.org/

sábado, 25 de janeiro de 2014

São Paulo, 460 anos

Parabenizemos Sampa! Cidade do branco, negro, índio, caboclo e mulato. De todos os sons, músicas e artes, para todas as bocas, narizes e ouvidos.

Cidade de gente de todas as partes, todas as plagas, todos lugares.

Cidade estado, cidade país. Aqui é o meu país.

Terra do sol, terra da fumaça, terra do sorriso, terra da garoa.

Cidade de São Paulo... Pequena gigante que a todos acolhe e alenta em seus braços.

Que narciso acha feio o que não é espelho. Quem te conhece não troca, quem te experimenta te adota, se orgulha, se perde em seus contrastes...

Em São Paulo, o meu nome é a solidão, diga sim que eu digo não.

O amor perverso por sua fuligem, a beleza de concreto que brota do caos, o ritmo dos faróis, o som do trabalho de sol a sol, marca registrada que te fez e te conduz...

Parabéns São Paulo... 


A minha terra, a sua terra, a nossa terra!

sábado, 28 de dezembro de 2013

Manifesto anarquista: Por uma primavera tupiniquim

Mais um ano se encerra. Um ano turbulento em que vimos nosso governo flertar de maneira irresponsável com a inflação, bichinho bizarro que, durante duas décadas, foi o pior inimigo do país, destruindo, destroçando o poder de compra do trabalhador e fazendo a fortuna dos banqueiros que, através do overnight, criavam dinheiro por geração espontânea.

Também foi um ano em que tivemos uma das maiores mostras que a sociedade Brasileira mudou e que não aceitaremos mais, de forma passiva, os mandos e desmandos de uma classe dominante alijada dos interesses dos cidadãos brasileiros, detentores do poder real e que sustentam o estado. Manifestações diversas varreram o país, de sol a sol, do Arroio ao Chuí, a maioria pedindo um basta na forma corrupta e suja que esse país funciona.

Ninguém aguenta mais trabalhar 6 meses por ano para pagar impostos que somem e não são utilizados para nada que importa, leia-se direitos básicos de qualquer ser humano na terra, como acesso a saneamento básico, água potável, educação, saúde e um lugar para morar.

Quem reclamaria de pagar os impostos pornográficos que pagamos, se soubéssemos que este dinheiro seria destinado ao progresso do Brasil? Todos ganharíamos com um país mais culto, desenvolvido e justo.

Mas o fato é que, desde a colonização, este país é composto de feudos, capitanias hereditárias, rincões dominados por elites que não conhecem o básico de Machiavel, sem um povo minimamente satisfeito, a tendência é termos uma onda de revoltas populares que terminarão, indubitavelmente, com a "morte" e substituição dessas elites.

Muitos políticos "cegos" pelo imediatismo não conseguem enxergar essa mudança, esse novo Brasil que mostrou sua cara nas passeatas de julho. Muitos deles, dado o fato que, há alguns meses temos um clima relativamente pacífico, pensam que, como no passado, tudo não passou de um breve sonho de uma noite verão.

Ledo engano. Basta um mínimo de inteligência para perceber que esse país mudou, deu um salto. Não que tenhamos obtido vitórias e mudanças assombrosas na forma como esse país é gerido mas, o fato é que, o povo não aceitará passivamente desmandos e impropérios.

Me parece muito claro que, se o país continuar neste rumo incerto, egoísta e alijado da vontade de seu povo, "nossas" elites arriscam criar uma primavera tupiniquim, com revoltas populares cada vez maiores e cada vez mais violentas.

Foi assim em Roma, foi assim no Egito, foi assim na Europa, foi assim na Rússia, foi assim na China. Sempre que a corda foi esticada acima de um certo limite, tivemos algo maior que passeatas, maior que faixas estendidas pela rua... Como a história mostra, vimos a erupção de sangrentas e violentas revoluções. O poder é do povo e não dos governantes que, no fundo, não passam de representantes deste povo. Se não os "representarem" de maneira digna, serão substituídos, legalmente ou a força.

Por muitas décadas nossos políticos e demais membros da elite se acostumaram com o mito do bom selvagem, definido por Jean Jacques Rosseau como cidadãos passivos que, em troca de pão, espelhos e circo, aceitariam sem reclamar, mandos, desmandos e tal e cousa e lousa e maripousa.

Afinal, somos para eles, um bando de analfabetos, iletrados, perdidos buscando o sustento de cada dia. Quem vive na pobreza não tem tempo de protestar, pensam eles de forma pejorativa, errada e perigosa.

O Brasil mudou. 

Só não vê quem não tem olhos ou não quer ver.

O país vive um estado turbulento como nunca vivemos na história. Somos hoje um barril de pólvora esperando a faísca que começara uma sequência de explosões sem volta.

O momento atual se assemelha ao que passava a França pré revolucionária em que muitos tinham tudo, poucos tinham nada e o povo era achincalhado diariamente por governantes distantes e alheios as necessidades do povo. Todos terminaram, literalmente, sem cabeças.

É condição sine qua non, para a sobrevivência deste país como nação soberana e unida, que surjam lideranças com a visão de futuro e entendimento do presente que levem em conta essa situação limítrofe e perigosa. Não é isso que temos em nenhum dos dois partidos dominantes na esfera política nacional.

Se nada mudar, se nosso governo, em todas as esferas do poder, continuar como um circo mambembe de cartas marcadas, completamente distante da realidade de seus cidadãos, despejando arrogância e prepotência, é questão de tempo para que o Brasil servil mostre sua verdadeira cara.

Se eu fosse um político, estaria neste momento ou estudando como fazer um trabalho sério ou de malas prontas para Paris.

O ano que começa será a solidificação de um processo sem volta, da transferência do poder, ou grande parte dele, de volta para a população. Isso acontecerá de forma pacífica ou a fórceps.

Cabe a quem de direito escolher.

Um feliz 2014 à todos.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Mensagem de final de ano

Amigos ,

Mais um ano se passou. Aliás, como a vida passa depressa...

Concentrados no dia a dia, em resolver nossos problemas, em prover o pão de cada dia para nossas famílias, às vezes esquecemo-nos de apreciar detalhes e nuances da vida.

São pequenas coisas que não voltam mais.

São as pessoas que convivemos, passam, vão, estão conosco, nossos amigos, nossa família.

Quantos de nós, por falta de tempo ou por compromissos, deixamos de comparecer a reuniões familiares, de dar um abraço em nossos pais, enquanto temos chance de aproveitar o tempo que ainda temos com eles?

Quantos de nós, pelos mesmos motivos, vivemos para o trabalho sem nos tocarmos que o trabalho é um meio e não um fim?

Quantas vezes nos permitimos ter um fim de semana na praia com a família, um jantar a luz de velas com nossas esposas, namoradas e filhos ou mesmo um tempo dedicado a nós mesmos, as coisas que gostamos e que nos fazem especiais?

A vida não espera, ela bate, machuca, dói... Mas também afaga, nos acolhe em seus braços e nos concede a graça sublime de experimentar o amor,  que justifica todos nossos perrengues.

Amor da família, amor de nossas mulheres, nossos filhos, nossos amigos...

Quanto tempo dedicamos as amizades? Estas pessoas especiais que, de sua maneira, nos acrescentam e nos ajudam a seguir na dura batalha da vida?  

Confesso que às vezes falho neste ponto. Apesar de ser extremamente emotivo e ter em meus amigos uma base sólida a qual recorro nos momentos de necessidade, preciso vê-los mais, procura-los mais, ajuda-los mais...

As idiossincrasias da vida nos separam. Mas mesmo assim, acredito que possamos estar distantes e perto ao mesmo tempo.

Na minha crença somos toda uma grande família humana composta por espíritos simpáticos que se procuram por aí.

Considero vocês um apêndice da minha família de sangue. Amigos com quem convivo há mais de 15 anos, que me viram crescer como homem, participaram e me ajudaram em momentos bons e ruins, me aceitaram, me apoiam, me suportam... 

Queria pedir à todos, neste final de (mais um) ano, que mantenhamos essa união pois esse é um dos motivos pelos quais estamos aqui, conviver e aprender com os amigos.

Tatá, eminente jurista, excelente advogado, detentor e conhecedor de cervejas que nunca ouvi falar, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Léo Barra, Palestrino cheio de idéias interessantes, uma pessoa que admiro e tenho carinho, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Martinelli, aquele que tem apelido de vagina, amigo de muito tempo, que me aproximei mais ainda este ano, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Senhor Genda, outro Palestrino como eu, rapaz inteligente, de observações espartanas e sagazes, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Murilo, baiano arretado, apaixonado pelo Bahea que também convivi mais este ano e vi a pessoa do bem que você é, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Senhor Seiro, grande pessoa, achubesp à tempos, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

André Zacari, vulgo “O Muricy é foda”, amigo e gente finíssima, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Senhor Frasca Scorvo, Peru para os amigos, que cada dia aprendo a gostar mais, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Augusto Guilherme, meu primeiro amigo na faculdade, quantas vezes nos divertimos e tomamos pauladas juntos, sem palavras para te descrever... um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Mitrovas, adora me encher o saco, joga bola pra caramba e é um dos caras mais gente fina que conheço, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Caio, outro que joga muita bola, conheço deeeesde que entrei no Mackenzie, uma cara de valores. Um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Carlucho, nosso homem da justiça, também conheci muito mais este ano e aprendi a gostar e respeitar, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Carlão Carbone, outro que o que dizer? Quantos momentos dividimos no passado e dividimos no hoje juntos? Além de um grande parceiro, marido de minha melhor amiga, tem uma família linda, um coração enorme e é diretamente responsável por nossa união eterna, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Davizinho, são paulino, gente fina, que me ensina e me motiva com pequenas palavras, pequenas frases a tentar ser um cara melhor, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Dieguinho, mais um que conheci e convivi bem mais neste ano, divertido e do bem, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Edenir, camisa 10... Temos nossas discussões, passamos réveillons juntos, dominávamos o azaléia, enfim, convivemos e vivemos, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

E o que falar do senhor Ponkan? Cozinheiro de marca maior, gente finíssima, que dedica seu tempo para que todos nós, quando nos encontramos, tenhamos do bom e do melhor, churrasco de restaurantes top, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Dioguinho, rapaz de garbo e elegância que também conheci mais a fundo neste ano que se encerra, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Cotrim, das antigas, sempre de bom humor, homem de Itu, boleiro que sempre viaja para lugares irados, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Jacob, véio Zuza, quantas aventuras nestes 15 anos, quantos perrengues, histórias compartilhamos? Conheceu (finalmente) alguém que o atura e vai se casar em breve, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Evandro, corinthiano que sabe das coisas, garoto do poker, parça do Ronaldo, com um coração enorme, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Senhor velho, outro que vem láááá de trás, parceiro, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Franhão, que hoje faz aniversário, outro São Paulino chato e um cara 10, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Ganso, nosso ecologista das construções sustentáveis. Neste ano, nos aproximamos muito, com você muito aprendi, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Gibão, cara legal, amigo e buona genti, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Xunior, esse é o xunior, o que dizer? Sempre ali, inteligente e rodeado de belas amigas, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Helinho, nosso amigo tricolor de coração, que encho tanto o saco (te curto pra caralho!), rei da bateria e que sempre lê meus textos e está sempre com a galera, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

João Vitor, outro que conheço desde a idade da pedra, um cara que me enche o saco mas tem um dos maiores corações que já conheci um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Polegar, aquele que me sacaneou da maneira mais inteligente que já vi, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Juliano, você é parça, sempre com um sorriso na cara, generoso com os amigos e hoje com uma família linda (nunca pensei que veria isso), um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Xuninho, outro parceiro que já conheço há anos e também esta sempre rodeado de belas amigas, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Maceió, rá... Amigo, parceiro, das antigas, de várias aventuras e desventuras, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Xari, uma das grandes amizades que fiz na vida, vai ficar pra sempre, tenho certeza, apesar do broquinator, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Marko Mello, o São Paulino mais chato que conheço, artista, do bem, da periferia e que duvida da existência do Telê, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Marco Tullyo, amigo, dono de uma sensibilidade única, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Maurício, mão de pau, palestrino, gente fina e inteligente pra caramba, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Miranda, nosso representante da classe dos bikers, que sempre troco uma ideia profunda em todos os churrascos, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Padu e Beto (sei lá quem é quem rs), aqueles que não jogaram no Palmeiras porque não quiseram (sei lá qual dos dois), das antigaças, gente da mais alta estirpe, com quem também tenho conversas interessantíssimas sempre que os encontro, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Renato Stockbant (nunca soube escrever seu sobrenome), nosso representante do Likud, recém casado, lê muito, é muito inteligente e adoro conversar com ele, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Roliso, el chico a pampa com um apelido que nunca entendi de onde veio, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Samuca, que sempre confundo com o Sammy (sorry!), um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Sammy, outro que é da década de 70, gosta de um samba, uma feijoada, e tem um coração do tamanho da Irlanda, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Menk, que já conhecia de outros tempos mas também convivi mais e conversei mais, neste ano que passou, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Thiaguera, das antigas (ainda me lembro de você e do Jacó, bichos, chegando carecas naquele jurídico), esse é do bem, das motos e da praia, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Waltinho, palestra, parceiro, com uma família linda e super inteligente, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Boca, esse é outro que apesar de sumido, mora e morará sempre em meu coração, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Tibas, que neste ano teve a grande alegria de ser pai, que também conheço e me divirto com ele há anos, um excelente natal e ano novo para você e sua família.

Senhores desta grande família , é um prazer tê-los como amigos, aprender, curtir, me divertir, discutir e conviver com vocês.

Que esse laço que nos une nunca se quebre.

Vida longa!
Renato Recife

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Campo de libra - Sua privatização será boa para quem, cara pálida?

Após tomar um puxão de orelha, provavelmente de Lula que não tem nada de bobo, Dilma se rendeu aos fatos. Onde o estado mete as mãos as coisas não saem, saem mal feitas ou com rios e rios de dinheiro desviado.

O campo de libra precisará de imenso CAPEX em pesquisa, engenharia e tecnologia antes de começar a gerar receitas. Desconfio até que o OPEX disso, dado que tirar petróleo das profundezas do oceano é complicado, só permitira ganhos reais quando o preço do petróleo for lá pra cima (e invariavelmente irá, por ser um bem não renovável).

Para a petrobrás, que deterá uma participação no deal, pode ser uma boa. Aos que compraram Petro na época do FGTS, uma dica: NUNCA venda uma ação em baixa, a não ser que você precise do dinheiro em um caso de vida ou morte.

Espere quanto tempo for. Principalmente neste caso específico em que a Petrobrás, hoje, vale menos que seu book value.

Para terminar, até Lenin e Trotsky afrouxaram o sutiã quando confrontados com o mesmo problema, e resolveram como a Dilma.

Não seria ela que mudaria a forma de atuação dessa geração de socialistas fracassados.

Quando na parede, quando percebem sua própria incompetência em setores chave como energia, se curvam ao setor privado. Muitas vezes fazendo maus negócios, como fez Fernando Henrique e como fará a Dilma.

Lenin, o primeiro líder soviético, adotou variantes dessa modalidade (guardando as devidas proporções de tempo e situação) na então União Soviética para explorar as ricas jazidas de petróleo de Baku e de outras regiões. Sem capital, tecnologia e mão de obras especializada fez acordos com as corporações britânicas com base no sistema de partilha e de transferência de tecnologia.

Resumindo, tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Mulheres poderosas, homens perdidos


O mundo mudou.

Para quem viveu a época em que ser o melhor cara da rua no telejogo era motivo de discussão e até de tapas entre a criançada, (caso você seja da geração Y, Z, e não tenha a mínima ideia do que estou falando, telejogo foi o "videogame" mais rudimentar e tosco que já existiu), os jogos interativos de hoje com realidade virtual, controle wireless e tal e cousa e lousa e maripousa, parecem mágica Wicca.

E o que falar do velho CP-500 da prológica com 64k de memória RAM (para se ter uma ideia, hoje em dia qualquer chip de cartão de débito tem umas 1.000 vezes isso aí), computador do tamanho de uma máquina de lavar louça, que usava disquetes de plástico, monitor de fósforo verde com pixels do tamanho de um dedo e rodava programas em basic?

Lembro também dos velhos telefones de discar, que os pais normalmente trancavam com um cadeado, e, todo moleque, conseguia burlar e usar "clicando" no gancho o número que se queria chamar.
Sem mencionar que uma linha de telefone fixo, que hoje quase ninguém tem mais, custava tanto, mas tanto que era declarada no imposto de renda!

E o politicamente correto? Acho que essas duas palavras nunca foram utilizadas juntas na década de 80! Para se ter uma noção, os trapalhões, que eram a antítese do PC, formados por um cearense, um negro bebum, um Dedé, caricatura de homossexual, e um careca esquisito, foi o programa mais assistido da televisão brasileira por muito tempo.

Televisão essa que era um trambolho de tubo, que não pegava em canto algum, tinha quatro ou cinco canais e só passava filme dublado. Nesses tempos idos, ir ao cinema era quase como sair à noite. Só se podia ir de calça, blusa social e ainda tinha o lanterninha, que tinha como objetivo de vida, encher o saco de todo mundo.

Economicamente, vivíamos o auge da inflação "a la" Alemanha do entre guerras. Os bancos ganhavam rios de dinheiro com o overnight, os preços tinham que ser reajustados a uma velocidade que faria inveja ao Usaim Bolt e, todo dia 10, os supermercados estavam lotados, pois era o dia de receber salário que, no dia seguinte, não valia mais nada.

Coitada da nossa moeda, mudou mais de nome que o José Dirceu. Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro Real, Real... Enfim, era um samba do crioulo doido!

Não vou nem citar as carroças que chamávamos de automóveis... Se você não gosta do Uno Mille, do Ford Ka ou do Fiesta, é porque não teve que andar de Fiat 147 (Meu Deus, Pai! O que você fumou quando comprou aquela geringonça?) ou de Caravan amarela.

Mas outras coisas mais importantes também mudaram. Entre elas as liberdades individuais. Não vivemos mais em uma ditadura, onde os governadores e prefeitos das capitais eram indicados pela caserna. Temos uma democracia consolidada em que, cada um, faz o que quiser, respeitando os direitos básicos do outro.

A internet, além de aposentar as páginas amarelas e a enciclopédia Barsa, foi o estopim de uma revolução cultural e econômica jamais vista. Hoje, com um clique, se tem acesso a todos as informações e conhecimentos da espécie humana. Google sabe tudo, esta em todos os lugares e, no limite, faz o que quiser. Resumindo, Google é Deus.

Vou, entretanto, discursar sobre as relações entre homens e mulheres (insira aqui homem com homem, mulher com mulher, bichos, plantas leguminosas e qualquer outra prática moderna que lhe vier à cabeça).

A minha geração é composta de homens perdidos.

Nossos pais foram educados em um mundo diferente, em que as mulheres eram "preparadas" para serem donas de casa (a maior parte não se formou em uma faculdade) e os homens para serem provedores, os "chefes" de família...

Era um mundo tão duro quanto o atual, mas extremamente machista. Até um tempo atrás, matar uma mulher adúltera, era um atenuante na pena de um corno.

Apesar de tudo isso, era um mundo de regras mais claras. Cada um sabia seu papel, por mais que isso soe esquisito e, antes que você mulher, seja invadida pelo sagrado fogo da indignação e decida que mereço ser cozido vivo, não acho que eram valores corretos nem melhores. Só estou relatando fatos.

Naqueles dias, o homem deveria cortejar sua namorada (que tinha que casar virgem, afinal mulher de família deveria se preservar para o marido) e frequentar casas de "primas". Os casamentos aconteciam aos vinte anos de idade, a mulher tinha que fazer vista grossa para as "escapadas" do marido (a sociedade tinha mais medo de mulher divorciada que do capeta), todo mundo ia à missa de domingo e pedia "bênção" aos mais velhos.

Mas isso mudou assustadoramente rápido com a minha geração. Nós contestamos tudo, todos e mais um pouco. Como no Brasil, tudo demora um pouco mais para acontecer que no resto do mundo, a revolução sexual dos anos 60, chegou aqui na década de 80 e começo dos 90. Minha geração não queria casar cedo, começou a transar aos 16, não acreditava que se pegava AIDS com "mulheres de bem", brigava por qualquer coisa que não concordasse e acreditava que podia mudar o mundo.

E mudamos. Para melhor ou pior, depende dos valores de cada um mas, o século 21, difere tanto do anterior quanto o polo sul do deserto do Saara.

O papel dos homens e das mulheres também mudou muito, tanto no mercado de trabalho quanto nos relacionamentos. Hoje é muito comum mulheres chefes de família, que ganham mais que seus maridos, que se casam depois dos 30 anos ou, eventualmente, nem se casam.

Hoje a maior parte dos trabalhadores do Brasil são mulheres que, cada vez mais, ocupam cargos de chefia.

Nossa presidente é uma mulher! Isso seria motivo de piada nos anos 80.

Porém, esses enormes avanços femininos, deixaram uma geração de homens inseguros, que não conseguem lidar com tudo isso, afinal de contas, fomos os últimos a ser educados no mundo de "ontem”.

Ressalto que, como sempre lembro, sou anarquista por definição e cada um, na minha maneira de pensar, deve ter o direito de fazer o que quiser, sem ninguém "cagando regra".

E nisso se incluem, obviamente, as mulheres e seus direitos. Viver em uma sociedade em que todo mundo realmente é igual (apesar dos bastiões de preconceito que ainda perduram por aí) é um orgulho (até porque ajudamos a conquistar isso) e um prazer. 

Nada melhor que uma mulher inteligente e independente que saiba o que quer e que seja capaz de discutir sobre qualquer assunto.

Mas isso não muda o fato que minha geração, que está na divisão de águas entre a idade média e a era espacial, não tem a menor ideia de como se situar nesses novos tempos.

Podemos dizer que vivemos o século feminino. O poder, em todos os sentidos, é das mulheres, desde o sexual, que sempre tiveram, ao financeiro, intelectual e familiar.

Como lidar com mulheres que fascinam e atemorizam ao mesmo tempo? Como mudar anos e anos de condicionamento? Qual o papel do homem em uma sociedade em que as mulheres podem tudo ou até mais do que eles?

Essa molecada de hoje, já cresceu no mundo dos celulares 3G e, provavelmente, acha essas minhas perguntas, no mínimo bizarras.

Mas para a minha geração, foi muita informação, muita transformação, muita mudança em pouco tempo. 

Alguns se adaptaram mais rapidamente. Outros ainda estão tentando se adaptar e, uma grande parte, parece cego em tiroteio.

Não por outro motivo, os psicólogos dizem que, a cada ano que passa, aumenta exponencialmente o número de pacientes do sexo masculino. A maioria tentando se achar e se encontrar no meio desse caos.

Quase todas as revoluções que trouxeram progressos a humanidade, foram sedimentadas à base de suor e sangue. 

Muitas cabeças rolaram, literalmente, para que a revolução francesa difundisse os ideais de liberdade e igualdade que norteiam a civilização ocidental. A revolução industrial inglesa, deixou muitos camponeses e artesãos na miséria e, a abertura da economia brasileira dos anos 90, que permitiu que tivéssemos acesso a carros "normais" e computadores de verdade, quebrou muita empresa por aí.

A era atual, em termos de valores, é muito, mas muito mais evoluída do que a que nasci. Contudo, os homens da minha geração limítrofe, com um pé no passado e outro no futuro, se tornaram dinossauros modernos.

Alguém tem que pagar o preço das mudanças e, neste caso específico, estamos devendo até as calças.